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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Aqueles que estão acima de tudo

Tem pessoas que acham que estão acima de tudo. Filhos "bem nascidos" da nossa sociedade, diariamente transgridem as leis, na certeza da impunidade. Qualquer problema, uma "carteirada" resolve. "Sabe com quem você está falando? Sabe quem é meu pai?"

Todo mundo sabe onde esses caras vão todas as noites e as barbaridades que fazem, bebendo ao volante, executando manobras arriscadas, agredindo pessoas. Todos sabem e ninguém faz nada. Nunca há policiamento naqueles locais que isso sempre ocorre, repetidamente, todos os dias. E, quando há, basta uma carteirada para sair sem responder por nada.



O que não disseram na reportagem é que o animal que atropelou o rapaz é filho de um importante político da região, o Carlone Assis. Obviamente, o cara foi orientado a fugir para escapar do flagrante, o que, ao que parece, não vai funcionar porque o absurdo do caso causou uma reação muito grande dos cidadãos, até mesmo fazendo uma carreata na cidade.

Aparentemente, a mídia local está dando bastante destaque ao evento, mas nem mesmo na estadual um caso tão absurdo consegue ganhar muita importância. Claro que isso se deve ao poder adquirido pelo político que consegue abafar o caso ao máximo. Note que, no vídeo, o nome do rapaz, Thiago Silva Ferreira de Assis, é citado apenas uma vez. Cheguei a pensar que nem tivesse sido citado.

Uma pessoa que tem todas as oportunidades na vida age tão grotescamente assim deveria receber uma punição exemplar. Infelizmente, no nosso país, apenas os pobres "mal nascidos" são presos.

domingo, 17 de julho de 2011

A vida não basta

Dia desses fui com a Bruna, minha namorada, em um dos shows da SBPC cultural, no Campus Samambaia da UFG. Fui principalmente para ver o show do meu amigo Diego de Moraes, que é integrante da banda Diego e o Sindicato. O show foi bem legal, o Diego e sua banda sempre com muita energia no palco e são muito criativos. Mas uma coisa me incomodou bastante: o desinteresse do publico. Enquanto as bandas se apresentavam no palco, as pessoas estavam conversando, muitas vezes de costas para o palco. Apenas bebendo e conversando, sem nem mesmo se importar com que está se apresentando.

Não sei se isso acontece apenas por aqui, mas me lembro que quando fui no FISL, em Porto Alegre, fui com uns amigos a um bar com música ao vivo. Era apenas um cara com uma guitarra tocando. O cara era bom, mas nada de excepcional. O pessoal do bar, porém, prestava sempre atenção nas músicas, cantando junto e interagindo com o artista. Rolou até os hinos do Grêmio e do Inter (e nós começamos a cantar o do Goiás, embora nenhum de nós soubesse a letra direito). Um comportamento completamente diferente do publico da SBPC cultural em Goiânia.

Qual é o motivo desse desinteresse? Eu penso que, para uma grande parte das pessoas, o que importa é ver gente e tomar cerveja. Simples assim. A paisagem pouco importa: pode ser na pecuária, na SBPC cultural ou no show da Cláudia Leite. Se tivesse tocando uma playlist qualquer ali, faria pouca diferença. Como diria o Rogério Skylab, parece que as pessoas estão sempre dopadas.



Depois que saí do show e fiquei incomodado com a indiferença do público, me lembrei da letra de Ouro de Tolo, do Raul Seixas.

Eu é que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar

Muitas dessas pessoas estão aí esperando a morte chegar. Estão todos satisfeitos, com a latinha de Skol na mão, batendo um papo de costas para o palco, enquanto a banda toca "Eu sempre tento ser um pouco diferente/Só um pouquinho diferente já me é suficiente". "Tá todo mundo igual".

Como diz o Ferreira Gullar, "a arte existe porque a vida não basta". E parece que, para muitos, a vida basta. E, como bem me lembrou o Diego em uma conversa recente, já dizia Raul: "tudo já foi dito, mas ninguém prestou atenção... então tem que dizer de novo".

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cinema 3D é só isso?


Demorei um pouco para ver o meu primeiro filme em cinema 3D e, quando vi, a onda de euforia já estava passando. Agora, parece que voltaremos aos filmes 2D mesmo e só fico me perguntando o que farão com todas essas salas 3D que foram instaladas nos cinemas.

Não gostei nada de ver filmes em 3D. Muitos me falam que os filmes 3D tem uma profundidade maior e tal... eu não vi dessa forma. Acho que a tecnologia ainda está muito mal desenvolvida, apesar de estar aí já há muitos anos. Parece aquelas imagens do Chapolim, quando o personagem vai voar ou fica pequeno e aparece recortado na cena, sem sombra, falso. Da mesma forma, tive a impressão que, nos filmes 3D, os atores parecem recortados do fundo. Não parece natural. Não dá para ver, por exemplo, os contornos do rosto da pessoa, como vemos na vida real.

As cenas de ação também criam um arrasto insuportável. Não dá para acompanhar quando tem muito movimento. Além disso, cansa muito a vista e quando você tira os óculos, não dá para enxergar nada.

Quando eu vi o Rio em 3D, ficava um contorno vermelho horrível em torno dos personagens. Não sei se isso foi uma configuração mal feita do pessoal do cinema, mas estava muito ruim mesmo (a imagem, não o filme, que é ótimo).

O outro filme que vi em 3D foi o Thor. As imagens de Asgard ficaram bem legais, mas as cenas de ação não dava nem pra acompanhar. Parecia aqueles primeiros filmes ripados em divx que toda imagem de ação ficava com muito arrasto.

Daqui pra frente, não pretendo mais pagar mais caro. Vou ver filmes em 2D mesmo, que essa nova tecnologia não acrescenta em nada na linguagem dos filmes e só serve para arrancar uma grana a mais da gente mesmo.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Textos da madrugada

Hoje é dia bom de dar uns pitacos sobre o campeonato de Fórmula 1. Meu primeiro pensamento sobre a corrida de hoje é "que porra é essa que a Red Bull está fazendo!". Se não perderem o campeonato não será por falta de tentar. Pra que ter equipe na F1 então? Faz logo time de um piloto só.

Para mim, esse campeonato está entre Mark Webber e Fernando Alonso. Estou torcendo pelo Webber. Não tem ninguém ali que lutou mais para estar onde está do que ele. Lutou até contra a equipe, que claramente tem preferência pelo Vettel (e depois em gente falar que a vitória de domingo foi bom para o esporte e mimimi mimimi. Tudo conversa fiada).

O pensamento da Red Bull deveria ser o seguinte: para sermos campeões dependendo apenas dos nossos resultados, temos que fazer duas dobradinhas nessas duas últimas corridas e o Webber tem que estar na frente em uma delas (porque se o Alonso chegar em terceiro nas duas, não adianta o Vettel vencer as duas que o Alonso é campeão). Se eles não vão inverter as posições agora, terão que inverter na próxima. Porém, não tem garantia NENHUMA de que farão a porra da dobradinha na próxima corrida! Então faz logo nessa, que era garantida!!!

Entrariam na última corrida com muito mais chances: bastaria o Webber ficar na frente do Alonso para ser campeão (supondo que os dois marcarão mais de 1 pontinho, claro). Vão jogar esse título na lata do lixo, Alonso em segundo na próxima corrida, com um sorrizão de orelha a orelha.

Essa história de jogo de equipe para mim deveria ser assim: cada equipe deveria informar, pela regra, qual a sua política sobre jogo de equipe. As políticas poderiam ir de "nunca ter troca de posições e favorecimento" até "definir o primeiro e segundo pilotos no início do campeonato e sempre permitir trocas de posição e favorecimento". Dessa forma, ficaria bem mais claro para todos os envolvidos (pilotos, torcida, patrocinadores... ) o comportamento de cada equipe. Se uma equipe que declara que não faria jogo de equipe começa a fazer, aí sim deveria ser punida. Ou seja: essa história de jogo de equipe deve ser decisão da equipe, política da equipe. Cada uma teria a sua, e quem gostar mais de uma ou de outra, corre, patrocina, torce em/por uma ou outra. Bem mais claro, bem mais justo, bem mais esportivo.

Proposta de divisão de categorias para as políticas das equipes:
A) Nunca fazer troca de posição ou favorecimento de piloto.
B) Fazer troca de posição ou favorecimento de piloto apenas quando um deles não tiver mais chances matemáticas de conquistar o campeonato
C) Fazer troca de posição ou favorecimento de piloto apenas quando um deles não tiver mais chances reais (diferença de pontos maior do que x) de conquistar o título
D) Fazer troca de posição ou favorecimento a partir do momento em que forem definidos e anunciados o primeiro e segundo pilotos da equipe.
E) Fazer troca de posição ou favorecimento desde o início, definindo primeiro e segundo pilotos antes do início do campeonato, em contrato.

Nessas categorias, a Ferrari se enquadraria na D ou na E, a McLaren na C ou na B e a Red Bull na A ou na B, por exemplo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Dois errados não fazem um certo

Estive acompanhando de longe o caso do Protógenes Queiroz, da condução da Operação Satiagraha. O que me interessou mais no caso foi a impossibilidade de utilizar provas obtidas ilegalmente em um julgamento.

Minha opinião aqui é de um leigo. Não tenho conhecimento profundo da lei brasileira nem de teorias de direito. É apenas uma interpretação pessoal dos fatos.

Segundo acompanhei, quando em um processo uma prova foi obtida ilegalmente, ela não pode ser utilizada no processo. Isso não é o mesmo do que uma prova mal colhida, cuja veracidade é posta em dúvida (por exemplo, uma impressão digital mal colhida), mas sim uma prova obtida por meios ilegais (como no caso, escutas ilegais).

A justificativa para isso é funcionar como uma medida para disciplinar e coibir a busca ilegal de provas. Ou seja, não adianta nada o policial procurar por provas sem o amparo da lei porque elas não terão validade.

Isso abre uma brecha interessante: você não precisa mais ser inocente. Pode ser culpado e trabalhar para demonstrar que as provas contra você foram obtidas ilegalmente e então se safar no julgamento. Ou seja, na tentativa de coibir um erro (a obtenção de provas ilegais), a justiça acaba cometendo outro erro: a anulação da prova.

Para mim, a solução para isso é bastante simples: quando uma prova é obtida ilegalmente, ela deve sim poder ser utilizada no julgamento, mas quem obteve essa prova por meios ilegais deve também ser punido severamente.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Pra que serve o twitter?


Já faz um tempo que conheci o Twitter, mas só agora começo a aprender a utilizar a ferramenta. Quando conheci, não vi muita utilidade. Parecia um bate-papo gigante (e eu detesto bate-papo).

Para quem não sabe, o Twitter é uma ferramenta de "microblogging". Nele, você tem um espaço de 140 caracteres para digitar uma mensagem e disponibilizar na sua página. Você pode "seguir" (follow) outros usuários para acompanhar o que eles estão postando. Basicamente, é isso.

Fiquei curioso com a ferramenta porque muita gente que eu já "sigo" (como no jargão dos twitteiros) na internet há algum tempo fala muito bem dela, em especial o Marcelo Tas. As duas últimas partes da entrevista que o Carlos Merigo e o Cris Dias fizeram com o Marcelo Tas tratam quase que exclusivamente do assunto Twitter.

Parte 3: TQT (Twitter o Que Twittar) ou Os prefeitinhos do Twitter


Parte 4: Blog do Tas


Mas para que serve essa ferramenta? Como utilizar?

Há, basicamente, duas formas de utilizar o Twitter: como uma ferramenta da comunicação e como uma ferramenta de informação. Usar como uma ferramenta da comunicação é usar como um bate-papo e, particularmente, não gosto desse uso. Usar como uma ferramenta de informação é seguir pessoas que tenham colaborações interessantes.

Nessa segunda abordagem, o Twitter é um blog interessante, de vários autores, e que você pode adicionar e remover os autores conforme o seu gosto pessoal. Dá pra receber informações sobre temas variados, como política, cinema, música... é só escolher os autores...

E aí que vem a parte mais difícil: escolher os autores. Estou ainda nessa fase de seleção. Alguns "twitteiros" que eu estava seguindo foram removidos porque escrevem demais, e acabavam por "poluir" o meu twitter. Outros porque escreviam apenas sobre sua vida pessoal.

Seguir as pessoas certas é mesmo muito difícil. Hoje encontrei uma pequena lista interessante, dos twitters dos colunistas do jornal "O Globo". É um bom ponto de partida: buscar por autores de jornais e revistas.

Meu twitter: http://twitter.com/glilco

domingo, 8 de fevereiro de 2009

João Gordo entrevista Fernando Gabeira

O primeiro programa Gordo Chic Show, do João Gordo, na MTV, foi uma entrevista com o Deputado Federal Fernando Gabeira.

Gabeira fala da sua história pessoal, da disputa da prefeitura do Rio, dos políticos brasileiro, e muito mais. Destaque para a definição do PMDB no fim do terceiro bloco e para o "Chomsky não me engana" no primeiro bloco.

Bloco 1



Bloco 2



Bloco 3



Gosto muito do Gabeira como político, mas acho essa idéia de "não planejar" é muito perigosa para o poder executivo. Acho necessário o planejamento para dar um direcionamento para o que vai ser feito, um projeto a longo prazo.

Por outro lado, por pior que fosse, o Gabeira seria um prefeito muito melhor que todos os outros candidatos. Acho que mesmo não concordando com essa idéia do "o que vier a gente resolve", votaria nele.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Ernesto Varela, um proto-CQC



Para quem não sabe, o CQC nasceu na Argentina, com o nome de Caiga Quien Caiga, e espalhou o seu formato pelo mundo. O CQC do Brasil é inclusive produzido por uma empresa argentina.

Mas a "franquia" não poderia estar em melhores mãos no Brasil... Nos anos 80, Marcelo Tas (o apresentador do CQC) encarnava o repórter Ernesto Varela, que é quase um protótipo do estilo de entrevistas feito pelo CQC.



O primeiro "Valdeci" foi o cineasta Fernando Meirelles!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Tas na China

O multimidiático Marcelo Tas, na época das olimpíadas na China, publicou no UOL Esporte uma série de vídeos sobre o país, a série Tas na China.

Esse vídeo já está meio ultrapassado e fora de moda (visto que já acabaram os jogos olímpicos da China), mas pelo menos um deles é muito interessante.



Nesse vídeo, o Marcelo Tas fala sobre a "indústria da cópia" da China, em um tom super bem humorado. Destaque para a feira de peças históricas falsificadas e para o IPod com câmera. Muito bom.

Tas na Zona... Eleitoral

Na época das últimas eleições municipais, o cara mais multimídia do Brasil, Marcelo Tas, publicou uma série de 4 vídeos no UOL notícias com o nome de "Tas na Zona... Eleitoral".

A série é simplesmente genial e é uma boa introdução ao sistema político brasileiro.

Episódio #1: Como surgiram as cidades?

O primeiro vídeo fala sobre o surgimento das primeiras cidades, a razão e os problemas que aparecem com seu surgimento e faz uma análise das cidades no Brasil, através de várias entrevistas com especialistas e populares.


O Tas utilizou a cidade de Itu para ilustrar como as cidades do interior funcionam. Achei interessante também o uso do jogo Age of Empires para ilustrar o surgimento das cidades.

Episódio #2: Pra que serve um prefeito?

O segundo episódio explica qual a função do prefeito, tomando como ponto de partida o síndico de um grande prédio, o Copan, em São Paulo.



É muito legal como ele tira as características de um bom prefeito dos exemplos de como o síndico atua no seu trabalho. Algumas características são completamente opostas ao que observamos nos prefeitos em geral... A principal: não fazer conceções políticas...

Episódio #3: Pra que serve um vereador?

O terceiro episódio explica a função do vereador, fazendo uso de entrevistas com vereadores da primeira câmara de vereadores do Brasil.



Acho esse o melhor vídeo da série. É muito legal como ele mostra que nem mesmo os vereadores prestam atenção nos discursos e explanações dos colegas, e mostra também a participação popular quase nula que ocorre na câmara. Piadinha genial: "eu também sou professor, né... Tibúrcio" (Tas na reunião entre professores e vereadores)...

Episídio #4: Como cuidar das cidades?

Esse vídeo é uma conclusão da série e questiona os quesitos que são avaliados pelo eleitor para escolher os candidatos.



É muito boa a crítica ao planejamento que geralmente é realizado hoje pelos governos.

Parabéns, Chitãozinho & Xororó



Ontem eu vi no programa Sr. Brasil, da TV cultura, apresentado por Rolando Boldrin, uma reprise do programa do dia 27 de Janeiro. A famosa dupla Chitãozinho e Xororó foi ao programa.

Achei muito interessante a atitude deles, já que com a fama e o prestígio que obtiveram, podem escolher os programas que irão e só aparecerem naqueles que realmente dariam visibilidade (Faustão, por exemplo).

Cantaram ao vivo três músicas sertanejas tradicionais, acompanhados pelo Rolando Boldrin e pela platéia que cantou junto e se emocionou.

Parabéns, Ch & X.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Jimmy Wales no Roda Viva

Acabei de ver no Google Vídeo a entrevista de Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, a maior enciclopédia do mundo (já que é maior que a britânica).



O cara é muito inteligente e, para mim, é um dos caras mais sóbrios ao falar de software livre, sem radicalismos. Gosto quando ele fala que sistemas de pontuação não são bons para serem aplicados a pessoas.

Gostei muito também da entrevista que ele deu à UOL.



Nessa entrevista, ele fala que não acredita na web semântica. Eu também não. Vejo a web semântica apenas como uma meta linguagem, mais uma no universo da computação.

É interessante também quando ele diz que nem todo usuário deve contribuir escrevendo na wikipedia, simplesmente porque alguns não possuem a habilidade necessária para escrever. Acho que o mesmo se aplica às comunidades de software livre em geral. Li alguns textos em que o autor criticava o fato de que a maioria dos defensores do software livre nunca fez nenhuma contribuição a nenhum software. Isso é natural: muitas pessoas vão simplesmente usufruir do trabalho da comunidade e isso não tem problema nenhum. Contribui quem tiver capacidade e se sentir bem com isso.

Zizek no Roda Viva



Ontem no programa Roda Viva da TV Cultura teve uma entrevista com o filósofo, psicanalista e marxista (rss) Slavoj Žižek.

Achei interessante quando ele fez análises psicanalíticas, mas acho as análises políticas dele um pouco chatas... a não ser quando ele critica os marxistas mais tradicionais. Ele realmente põe o dedo na ferida.

Achei particularmente interessante a discussão sobre direitos autorais e de propriedade intelectual. A análise dele é muito parecida com a do Túlio Vianna, advogado e professor de direito que defende a descriminalização da pirataria.

Ingenuidade x Falta de visão

Ontem enviei um email para o programa Canal Livre, da Band, sugerindo, na minha completa ingenuidade, que eles disponibilizassem os programas na internet.

Sinceramente, acho que seria muito bom até para divulgar o programa, que para mim é um dos melhores programas da TV aberta brasileira. Pouca gente conhece, pouca gente vê. Até porque passa domingo à noite, em um horário muito ruim.

Sempre quando envio esses emails para programas, não espero resposta imediata. Para minha surpresa, me responderam ontem mesmo. Me agradeceram o email e as observações sobre o programa e me disseram que seu eu quisesse adquirir algum programa, poderia comprar pelo valor de R$ 54,80. A TV Cultura também vende seus programas por preços não menos absurdos.

Nesse sentido, concordo com o Marcelo Tas: A Rede Globo está na frente de todas as outras emissoras na internet.

A Rede Globo disponibiliza no seu site de vídeos uma parte significativa da sua programação. É possível encontrar quase todas as entrevistas do Programa do Jô, várias matérias do Fantástico, rever os últimos gols do seu time...

Sem falar no preço... R$ 54,80 é salgado até pra DVDs das bandas mais famosas... em tempos de crise então...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Zeitgeist e a vontade de acreditar

Quando me mostraram o Zeitgeist, me disseram que o filme tinha grandes revelações bombásticas e irrefutáveis acerca de muitos aspectos da história humana.

A própria introdução aponta para essa direção e nos faz crer que apresentarão uma verdade irrefutável, que estivemos sendo "enganados" o tempo inteiro e que o objetivo dos "enganadores" (sempre Eles) é "dominar o mundo". E isso é dito literalmente, com todas as letras. Não poderia ser mais conspiratório.

É muito fácil chamar a atenção das pessoas com teorias da conspiração. Parece ser muito natural acreditar em OVNIs, organizações secretas dominadoras do mundo, lendas e superstições. Penso que é necessário olhar para essas coisas com um certo ceticismo pois, como dizia Carl Sagan, que é até citado no filme, eventos extraordinários requerem evidências extraordinárias (Sagan foi um dos principais cientistas defensores da busca de vida alienígena, apesar de não acreditar nos relatos de OVNIs descritos ao longo da história recente).



O filme Zeitgeist é dividido em três partes. A primeira parte, "The Greatest Story Ever Told" ou "A Maior História Já Contada" trata de uma análise do cristianismo. A segunda parte, "All The World's a Stage" ou "O Mundo Inteiro é Um Palco" apresenta uma suposta conspiração nos ataques às torres gêmeas nos estados unidos. A terceira parte, "Don't Mind The Men Behind The Curtain" ou "Não Ligue Para os Homens Detrás da Cortina" foca no sistema bancário mundial, que supostamente tem estado nas mãos de uma elite de famílias burguesas que detém o verdadeiro poder sobre todos os países a eles associados.

Pessoalmente, não consegui passar da segunda parte. Isso porque me incomodou bastante a imprecisão das informações apresentadas na primeira parte, que para mim comprometem a credibilidade do filme como um todo. A seguir, farei uma análise da primeira parte, que trata do cristianismo.

De um modo geral, a primeira parte do filme apresenta informações para corroborar uma teoria previamente elaborada (a de que Cristo seria uma colagem de várias outras mitologias e teria origens astrológicas), ocultando, quando conveniente, informações valiosas que poderiam levar o espectador a tirar outras conclusões que não as apresentadas no filme. Para mim, há uma grande confusão quando não fizeram uma separação entre o que é de origem bíblica, o que vem da tradição católica e o que se originou da tradição popular cristã.

No início da primeira parte, é apresentado um resumo da história do deus egípcio Horus. O resumo é o seguinte:
  • Nasceu em 25 de dezembro de uma virgem
  • Uma estrela proclamou sua chegada
  • Três reis vieram adorar o recém nascido "salvador"
  • Começou a ensinar aos 12 anos
  • Aos 30 anos foi "batizado" e começou seu "ministério"
  • Teve 12 discípulos
  • Foi traído
  • Foi crucificado
  • Foi enterrado por três dias
  • Ressuscitou após três dias
Essa descrição parece ser exatamente a de Jesus Cristo. O filme apresenta essas afirmações sem nenhuma referência, como se fosse fato que essa é a história de Horus. Porém, no mínimo, essa história não é um consenso. Na verdade, há bem poucas referência importante que a corrobore tal qual é posta no filme.

Mas, supondo ainda que essa seja mesmo a história de Horus, os autores do filme "misteriosamente" ocultaram alguns detalhes importantes.
  • Em nenhuma parte da bíblia é dito que Jesus nasceu em 25 de dezembro. Essa data foi adotada pela igreja católica, pelo Papa Júlio I, no ano 350 pouco depois de o Imperador Constantino instituir o Cristianismo como religião oficial do império romano, justamente para que os seguidores das religiões pagãs adoradoras do sol pudessem se converter ao cristianismo sem ter que mudar muito os seus costumes. Então, não é de se espantar que a data seja a mesma.
  • A história dos três reis magos (que é citada por muitas vezes no filme) não tem fundamentação bíblica. Não consta em nenhuma passagem bíblica o número de sábios que foram visitar o menino. Em Mateus 2:1 encontramos "Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém", e esse é o único evangelho que cita o fato. Os três reis magos tem origens na tradição popular e nada tem a ver com o Jesus bíblico e não condiz, portanto com as três estrelas do cinturão de órion.
  • O batismo é uma tradição judaica, criada muito tempo depois do mito de Horus. Ele não poderia, então, ter sido batizado. Mesmo que tenha passado por algum ritual parecido, chamar esse ritual de batismo só pode ter um intuito: confundir, e não esclarecer.
Mesmo eliminando esses tópicos, parece haver ainda muita semelhança nas histórias de Jesus e Horus. Porém, as outras afirmações acerca do Deus egípcios não resistem a uma pesquisa mais rigorosa. Até onde eu consegui apurar, Horus não nasceu de uma virgem, não há relatos de nenhuma estrela que tenha proclamado seu nascimento, Horus teve 4 seguidores, não foi traído nem crucificado, nem esteve enterrado por três dias, nem ressuscitou. Talvez haja referências sérias e amplamente aceitas que corroborem as afirmações do vídeo (que não sejam, é claro, textos conspiratórios da internet ou textos criados a partir do filme), mas o importante é que, pelo menos, não há consenso sobre nenhum dos fatos destacados sobre a suposta história de Horus e, mesmo que existam tais referências, o filme apresenta Horus de uma maneira imprecisa e tendenciosa, a fim de "alinhar" os fatos para a conclusão que querem tomar.

Outros erros grosseiros do filme podem ser apontados na descrição dos outros deuses, como por exemplo Krishna, que não nasceu de uma virgem, mas da princesa Devaki e seu marido Dasudeva e Dionísio, que não nasceu de uma virgem, mas da união de Zeus com uma mortal. Nenhum dos deuses citados no filme parece corroborar a teoria levantada de que compartilham a morte na cruz e ressurreição depois de três dias.

No vídeo, apresentam o peixe como símbolo cristão está relacionado com a era de peixes. O uso do peixe como símbolo do cristianismo começou com a igreja primitiva, e foi adotado porque a igreja primitiva era perseguida, mantendo seus encontros secretos, e precisavam de um símbolo para marcar onde seriam as reuniões secretas de culto. Utilizaram um acrônimo, no grego antigo ICTUS (peixe, no grego), para Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador. Essa é apenas mais uma de muitas explicações possíveis para a adoção do símbolo.

O filme afirma que, em Lucas 22:10, Jesus disse, em resposta aos questionamentos dos discípulos sobre o que fazer quando Jesus tiver partido, que os discípulos procurassem um homem com um cântaro de água. Segundo a interpretação do filme, o homem representaria a era de aquário, que se seguiria à era de peixes, que seria representada por Jesus (ou seja, viria após a partida de Jesus). Na verdade, a pergunta dos discípulos que resultou nessa reposta foi essa: "Eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos [a páscoa]? Então, lhes explicou Jesus: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem com um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar e dizei ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde é o aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?" (Lucas 22:9-11), ou seja, não tem nada a ver com o que os discípulos devem fazer depois da partida de Jesus. E essa, segundo o filme, é a passagem mais reveladora das referências astrológicas. A interpretação dada no filme não faz muito sentido quando se lê a passagem completa.

Minha intenção aqui não é fazer uma defesa da igreja ou do cristianismo. Acredito que muitos outros aspectos do filme poderiam ser contestados por pessoas com maior conhecimendo de mitologia e teologia, já que não sou nenhum especialista nos assuntos. Penso que muitas coisas devem ser esclarecidas no que diz respeito à religião, especialmente do cristianismo primitivo e da formação da igreja, da seleção dos textos canônicos etc. Se há uma manipulação dessa magnitude, onde estão os manipuladores? Quem são "Eles"? Não acho que com mentiras, informações imprecisas e confusões é possível prestar algum esclarecimento, e muito menos, como pretende o vídeo, chegar "à verdade". Um assunto tão delicado deveria ser tratado com mais cuidado, seriedade e responsabilidade e deveria exigir, pelo menos, uma pesquisa mais bem feita.

O que mais me impressiona, porém, é a repercussão que o filme teve, mesmo carregado de informações falsas, facilmente verificáveis como tal. O filme que se dá o objetivo de "libertar as pessoas pela verdade" acaba confundindo através de mentiras mal costuradas. Parece haver uma vontade irresistível, uma necessidade das pessoas de acreditar em teorias conspiratórias, e essa necessidade parece ser tão forte que quando tais teorias são apresentadas, não parece necessário checar nenhuma das informações: a verdade foi revelada.

Penso que é importante questionar, mas antes de confiar é preciso desconfiar. Querer acreditar não deve significar acreditar cegamente, mas questionar sempre. Não deveria a verdade (se existir) resistir aos questionamentos?

Algumas referências interessantes:


A Tretalogia de Zeitgeist: o efeito 'red pill'
Zeitgeist: Dan Brown vestiu as cuecas de Michael Moore
The Leading Religion Writer in Canada ... Does He Know What He's Talking About? [eng]
Is there any validity to the Zeitgeist movie? [eng]
Zeitgeist -- perspectivas
Natal: Por quê 25 de dezembro?
Wikipedia: O primeiro Concílio de Nicéia
Wikipedia: Horus [eng]
Wikipedia: Krishna [eng]
Wikipedia: Dionysus [eng]
Wikipedia: Ichthys [eng]